quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"AMA-ME", NA EDIÇÃO DE HOJE DO JORNAL DA MEALHADA

 



Ama-me

Traz rosas mornas em teu peito

Deixa que se moldem à minha mão

Declama o poema a que tenho direito

Provoca em meu corpo, erupção


Ama-me

Sem vestes, sem destino ou razão

Com o olhar, com os lábios e a pele

Porque o amor não pede explicação

Pede sim uma paixão a dois, fiel


Ama-me

Entre as rochas, entre as ondas e o cais

Grita comigo os búzios à praia rasgada

Desperta em nós o chilrear dos pardais

Em pétalas abertas pela madrugada


Ama-me

Enfeita-me com lírios puros sem pressa

Rompe o sol no pretérito mais-que-perfeito

Onde se une o puzzle numa só peça

Rumamos ao céu do nosso íntimo jeito


Ama-me

Pelo fogo da noite ao ventre desperta

Pelas estrelas acocoradas ao luar

No laço qu’em teu pescoço nos aperta

E em tranças ousa o coração completar


Ama-me

No castelo rubro da tua fantasia

Assim mesmo, despudoradamente

Onde habita só a nossa maresia

Peço-te, ama-me simplesmente!


segunda-feira, 30 de junho de 2025

CHAVE DOURADA (DA MINHA CASA)

 



Descobri na gaveta da mesa de cabeceira

Uma chave dourada (*)

Que nos últimos anos lá estava guardada…

 

Tracei metas e desafios

Cumpri planos e projetos

Tomei decisões e ao longo do tempo

Não parei um momento

Arranjei sempre as melhores soluções! (*)

 

No início tive medo

Não contei, guardei segredo

Com essa chave hoje abri

A porta da minha casa

Imaginem o quanto estou feliz!

 

Orgulhosa de mais uma etapa

Desta sede que me alicia e não mata

Dona de uma mente que nunca abranda

Que louca ambição me comanda!

 

A realidade superou o sonho

Sou bem-sucedida no que me proponho

A ser e a fazer

É isto que me alimenta e faz crescer!

 

Quando contei, alguém riu

(Deus ouviu)

Mas eu nunca desacreditei

Fui sempre eu de alma e coração

Com foco me superei e alcancei

Com persistência e dedicação:

Nunca me verão como aquela que um dia desistiu!

 


29/10/24


(*) Imobiliárias Chave Dourada (Coimbra) e Decisões e Soluções (Figueira da Foz)


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

HORA DA PARTIDA (SEM LUGAR A DESPEDIDA)

 



A voz tremeu

A mão soou

O coração abalou

O dia nunca mais amanheceu…

 

O meu mundo parou

O relógio não avançou

Era a hora da partida

Sem lugar a despedida.

 

Não era mentira

Porque é que a vida nos tira

Inexplicavelmente quem mais amamos?

Porque é que o destino nos desvia

Teima em nos roubar a alegria

E nós não o perdoamos?

 

Recordo-te ao fechar os olhos

Saudades de um tempo que não volta

A lágrima sempre se solta

Para te entregar agora rosas aos molhos…

 

Agarro-me às tuas fotografias

Morro contigo lentamente

Queria trazer-te para que tudo fosse diferente

Só vejo as noites, esqueci os dias.

 

Já acendi mil e uma velas de luto

De revolta e sobretudo, amor

É agridoce este nosso fruto

O teu rosto genuíno ainda guardo e sei de cor.

 

29/10/24

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