sexta-feira, 6 de setembro de 2013
QUIMERA
É o mapa amolgado do tempo
Que me rouba o céu
E o algodão doce dos sonhos…
É vago todo o olhar
Gotejando amargamente
No berço de um sorriso fraco
Num desejo que podia ser presente
E é só passado…
Tragam o verde dos campos
E pendurem o sol nos meus olhos
A promessa que deixo
Veste-se de eternas tentativas
Ainda que o vento sopre
Contra os meus pés…
As minhas mãos são o caminho
Cimentado de versos d’esperança
Quiçá um dia
A passadeira vermelha do céu se estenda
E os sonhos estejam à curta distância
Da palma da mão revestida de estrelas…
Talvez haja um sorriso
Empoleirado num poema
Ainda por desvendar…
Talvez o destino
Faça de mim só promessa
E eu seja apenas quimera
Para sempre…
Talvez!…
20-04-13
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
DOLOROSO ENLACE
Enlaça-me
a dor por dentro
Enquanto calco as paredes da alma
Só a tua voz amena do momento
Penetra em mim e me acalma…
Oh! Agreste tempestade
Que não fere só os olhos
Nem sequer tenho vontade
De colher rosas aos molhos!
…Amor é dor; dor é amor
Caminham de mãos dadas
Realidades entrelaçadas
Como a tela é do pintor!
(Enlace que é enlace
Não é só feito
De sorrisos na face
É erróneo pensar desse jeito!
Tem de doer e rasgar o peito!)
É doloroso todo o enlace!
…Procuro que o tempo
Faça de ti só momento
E a teu lado, não passe!
27.03.13
REFÚGIO E LIBERTAÇÃO ANGELICAL(MENTE)
Todas as noites contemplava Angelica. Nunca me atrevi a perguntar-lhe o nome mas, batizei-a assim, pelo seu ar angelical.
Seus cabelos soltos eram fios doirados, genuínas barbas de milho e os olhos de amêndoa tão doce transportavam-na para o algodão das nuvens que, tocava com as suas mãos delicadas. Pisava o céu como se fosse seu, suave e livremente. Adivinhava-lhe o largo sorriso pelo rosto aceso ao compasso da lua. Possuía uma silhueta perfeita com contornos bem delineados.
Não a invejava, pelo contrário, admirava-a! Fascinava-me o seu ar descontraído com pitada de sensualidade e ousadia.
Angelica debruçava-se sobre a janela do quarto e folheava um livro de poesia até à chegada da lua. Despudorada, bebia uns goles de vinho tinto, rodopiava entre os degraus da solidão e subia até ao paraíso. Aos poucos, desabotoava a seda que a cobria e renascia, como se fosse alma e coração ao mesmo tempo. Como se o tempo veloz parasse e não fosse mais tempo. O vento só lhe soprava os cabelos, os sonhos permaneciam no mesmo lugar. Era ali, em plena noite, que queria realizá-los.
Abraçava com ternura, as ruas e os laços numa dança contagiante. Meu corpo sorria e também balançava…
Eu encontrava-me no seu horizonte mas, de tão entretida que estava ela nem sequer dava por mim.
Todas as noites, éramos retalhos de vida angelical(mente), refúgio e libertação.
domingo, 1 de setembro de 2013
LEITO
É na
passagem para o teu leito
Que ponho de lado as mágoas
Vou, consumida pelo teu jeito
Deslizando sobre tuas águas…
Que me adormecem
Sem querer
Que me engrandecem
Sem temer…
Que me afagam
A pele
Que me desvendam
O mel…
É na passagem para o teu leito
Que arrisco ser mais e melhor
Porque o que diz o teu peito
Mais nenhum me diz, Amor!
09.04.2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
QUERIA (RE)POUSAR EM TI
Queria (re)pousar nas palavras
Sentir
O barulho ameno do silêncio
A cadência da rima nos dedos
E o poema a afagar-me a pele
(Mas não vens…)
Não há calor
Nem poema
Há (ar)dor
E dilema...
Queria (re)pousar nas palavras
Sentir
O odor abafado a verão
O olhar polvilhado de sonhos
E a boca cheia de beijos
(Mas não vens…)
Não há odor
Nem olhar
Há desamor
E lacrimejar…
18.04.13
terça-feira, 27 de agosto de 2013
SE O AMOR NÃO VIER ESTA NOITE
Se o amor não vier esta noite
Não irei implorá-lo a outra porta
Ainda que o desejo baixinho me afoite
Esperarei pela luz do dia
Entre as frestas da janela
Não como ave ferida que o vento corta
Mas como ave livremente bela
Em forma de poesia!
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
ÉS...
És melodia que em mim (re)pousa
Em gestos de ternura eloquente
És o perfume que, sem querer, ousa
Deixar meu sangue frio, quente…
És mais de metade da minh’alma
O anel que destece o meu coração
Em renda, unindo palma com palma
No olhar risonho trago tua expressão!
És hipérbole num verso sem razão
Fruto que (a)colho, divina bênção
És insanidade, pecado-tentação
Destemida e desmedida paixão…
És dia e noite, aceso cálice de vinho
Entornado pelos meus lençóis de linho
És origem e no meu seio és poema
Vertigem d’espuma, sonho e dilema!
És conto de fadas, des(a)pertas o paraíso
Em mel e fogo, quando abres tua janela
De par em par e me ofereces teu sorriso
És no céu doirado, minha única estrela!
19.04.13
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
MEMÓRIAS
É a tua imagem
que se arrasta no tempo.
Tu és tudo a cada segundo, que vale em mim a eternidade.
Abraço cada fotografia como se ter-te fosse uma realidade, um diamante lapidado
do qual não abdico.
És bálsamo que não me canso de respirar. És essência que não me canso de amar.
O tempo não me afasta do castanho fascinante dos teus olhos,
nem dos teus lábios coloridos de sensações.
nem dos teus lábios coloridos de sensações.
O tempo não te afasta do meu olhar carente de sonhos, nem do meu pensamento
atolado de cada momento passado junto a ti… Passado que é e será presente,
enquanto o meu coração e a minha cabeça insistirem em recordar paulatinamente
cada sorriso, cada beijo trocado,
cada toque, cada ensejo partilhado!...
cada toque, cada ensejo partilhado!...
Vou tentando remendar algumas feridas - sem remédio - que sempre que toco,
voltam a doer e a abrir, desatando tempestades que, só o grito do silêncio entende.
voltam a doer e a abrir, desatando tempestades que, só o grito do silêncio entende.
Já lá vão noites sem conta, em que o teu corpo ausente é presença constante, na
minha cama fria, enfeitada com lençóis carcomidos.
Quando é Amor, o tempo não cura (nada)!
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
QUANDO ESTOU CONTIGO
Quando estou contigo
Há perolas doiradas a florir
Mãos de seda a tatear sentidos
Vício(s) a que não pretendo resistir
Se os quero sempre desmedidos…
Quando estou contigo
Há borboletas empoleiradas
Um calafrio perante tamanho desejo
Poisado nas bocas entrelaçadas
Que se (p)rendem a um longo beijo…
Quando estou contigo
Há danças em cegas rimas
Ritmos latinos, ousados
Genuínas obras-primas
Em laços aprimorados…
Quando estou contigo
Há o coração desarmado
Nu(m) rompimento além-pele
O licor do afeto escancarado
Um destino promissor e fiel…
Quando estou contigo
Há o esquecimento do tempo
Das consequências, o devaneio
Nu(m)a loucura aliciante o momento
Em que prazer é nome do meio…
Quando estou contigo
Há espontaneidade na cadência do sorriso
O despertar de cada sensação singular
O cheiro de um livro novo, o paraíso
O lugar mais lindo de habitar… e amar!
13.08.13
terça-feira, 13 de agosto de 2013
DEPOIS DE UM BEIJO
Depois
de um beijo
Molhado
Lambido
Demorado
Su(g)ado
Tremendamente louco
Um sussurro de desejo ao ouvido
Um pescoço devorado
Duas mãos pelo corpo
Um toque ousado entre coxas
Despertando o hálito abafado
Nu ondular da maresia
O descontrolo dos sexos
Excitados
Penetrados
Envolvidos num terno abraço
De cansaço...
Depois da noite
Só a madrugada em branco
O (re)começo
Do avesso…
13.08.13
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
PERCURSO
Há uma ponte e um arco-íris a percorrer
a cada novo amanhecer.
Que os nossos olhos e o nosso coração, estejam sempre
dispostos a fazer esse percurso...
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
ESCRAVA
É uma gota (pro)funda e interna
Que jorra pelo meu coração
Velha e imunda caverna
Palpitando sem compaixão…
É um todo que nada lava
Que jorra pelo meu coração
Sou sua maior escrava
Palpitando sem compaixão…
É uma perda com pouco ganho
Que jorra pelo meu coração
Vazio e atormentado banho
Palpitando sem compaixão…
É um barulho de morte
Que jorra pelo meu coração
É a falta daquela sorte
Palpitando sem compaixão…
07.08.13
07.08.13
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
IMAGENS INSPIRADORAS (*)
Flutua
em nós o desejo, em águas calmas e o pensamento eleva-se, com asas douradas de
anjo, ao expoente máximo do céu, onde o coração se revela.
Todos os tons nos enfeitiçam os olhos, quando somos poema ao íntimo toque.
Oh… Como tudo é brilho, claridade e compreensão!Todos os tons nos enfeitiçam os olhos, quando somos poema ao íntimo toque.
Fazemos da conquista, um jardim de flores regado constantemente, a cada gesto.
Há uma multiplicação em cada ação e jamais a divisão se faz sentir. Somos a unidade.
Desapegados do mundo, caminhamos sem medo(s) de qualquer julgamento, livres…
Nada pode impedir dois seres de se possuírem, de se amarem desmedidamente.
E assim, acenamos e sorrimos à natureza e abraçamos as boas vibrações, que nos alimentam.
Somos cristais lapidados, conforto aceso, alva pele de nós mesmos.
Só o teu corpo (des)compõe o meu. É no peito que colo todos os meus segredos.
Agradeço à vida, a dádiva de te ter por perto. De te ser, com o peso do ventre em chamas.
De te (re)inventar a cada paraíso. És luz d’existência!
Fixo-me em ti, em pleno so(n)ho e a leitura que faço é, silenciosamente penetrante, num raio perfeito em direção empolgante.
Deixo que me arrases, por dentro e por fora, nu(m)a construção perfeita.
Deixar-te ir seria, ousar perder-me, por trilhos obscuros.
Desabotoas-me o coração aquando a roupa e eu, com candura, enlaço as mãos e imploro que fiques, neste labirinto mágico.
A vida pincela-se numa dança de todas as cores, num tocante beijo de almas gémeas.
Porque és… Sonho meu!
05.08.13
Há uma multiplicação em cada ação e jamais a divisão se faz sentir. Somos a unidade.
Desapegados do mundo, caminhamos sem medo(s) de qualquer julgamento, livres…
Nada pode impedir dois seres de se possuírem, de se amarem desmedidamente.
E assim, acenamos e sorrimos à natureza e abraçamos as boas vibrações, que nos alimentam.
Somos cristais lapidados, conforto aceso, alva pele de nós mesmos.
Só o teu corpo (des)compõe o meu. É no peito que colo todos os meus segredos.
Agradeço à vida, a dádiva de te ter por perto. De te ser, com o peso do ventre em chamas.
De te (re)inventar a cada paraíso. És luz d’existência!
Fixo-me em ti, em pleno so(n)ho e a leitura que faço é, silenciosamente penetrante, num raio perfeito em direção empolgante.
Deixo que me arrases, por dentro e por fora, nu(m)a construção perfeita.
Deixar-te ir seria, ousar perder-me, por trilhos obscuros.
Desabotoas-me o coração aquando a roupa e eu, com candura, enlaço as mãos e imploro que fiques, neste labirinto mágico.
A vida pincela-se numa dança de todas as cores, num tocante beijo de almas gémeas.
Porque és… Sonho meu!
05.08.13
(*) Este texto surgiu através da visualização de uma série de imagens (inspiradoras) que me foram sugeridas... Daí optar por não colocar nenhuma imagem e dar asas à criatividade do leitor!
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
ÀS CORES
Branca é a
alma
Em becos estreitos
Em sinuosos leitos
De perder a calma…
Verde
é a água
Que embala os sonhos
Que compõe o que somos
Que leva tod’a mágoa!
Amarelo
é o girassol
Que se desabotoa no teu sorriso
Que me aquece em noites de sol
Que faz de ti, o (meu) paraíso!
Vermelha é a fome
Que separa os lábios teus
Dos lábios meus
É pecado, é lume
Separar as estrelas do íntimo dos céus…
Azul
é o olhar
Que se estende a caminhos
Intermináveis, dignos de amar
Mais que mil devaneios e(ntre) carinhos…
Transparente é a folha
Que me nega e te olha
Que poisa nos meus braços de maresia
E enrola nossos corpos em poesia!
02.08.13
quarta-feira, 31 de julho de 2013
DUETO PEDRO BELO CLARA E JESSICA NEVES - LÍRICO
Nas ondas dos teus cabelos
Bebo o doce perfume do mar,
Enrolo o teu corpo em novelos,
Deixo-me suavemente embriagar.
As carícias são tenras flores
Que afloram de ávida mão,
Os lábios povoados de sabores
Envolvem-se na teia da paixão.
Entre beijos sem fim, o alvorecer
Que dos amantes é eterna promessa,
Com desejos de se voltarem a perder –
A poesia do prazer a dois nunca cessa.
Mas o sonho finda. E a realidade
Que sobeja, a cada viagem, é obscura –
Ainda assim, enleio em nós a eternidade,
Respirando contigo a felicidade pura!
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