quarta-feira, 6 de novembro de 2013

BANHA-ME DE TI




Banha meu olhar
Com cumplicidades despidas 
De cores que me sabem amar
Para lá da quimera das nossas vidas…


Banha minha boca
Com versos ri(t)mados
De línguas e carência louca
Em ritmos aliciantes, descompassados…



Banha meu ouvido
Com hálitos quentes (d)e ousadia
De palavras trincadas, com o ruído
Das rochas envolvidas pela maresia…



Banha meu pescoço
Com frenéticos arrepios
Como folhas abanando no troço
Da árvore de todos os estios…



Banha meu ventre 
Com melodias adocicadas 
Pelo teu toque, deixa que entre
Nós, o amor se resuma a pétalas rasgadas…



Banha minhas virilhas
Com movimentos de te(n)são
Frutas tropicais no cais de ilhas
Bordadas no lençol rubro da paixão…



Banha meu sexo
Com os dedos e os lábios teus
Com a tua invasão, sem nexo
Cai nos encantos e delírios meus…



Banha meus pés
Com os trilhos que os teus pisam
Com o licor e a tempestade que és
Com as carícias que me amenizam…



E por fim, sem fim
Banha sem medo, minhas mãos
Com a ternura que pousa em ti, (as)sim
Nu(m)a entrega sem senão’s!



27.10.13

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

POEMA CONTRAFEITO





Perco-me neste poema contrafeito
Entre a penumbra amarga do tempo
O relógio bate veloz contra o meu peito
Onde tu és um sopro, um momento…


Invento-te à força, de qualquer jeito
Trago-te um recado da minh’alma:
Quero amar(-te) mesmo com defeito
E transformar tua revolta em calma…



Quero desatar sorrisos no teu leito
Nas margens plenas do meu rio
Entoando em uníssono, o cálido efeito
Da sofreguidão da pele, sem frio.



28.10.13

terça-feira, 29 de outubro de 2013

QUANDO A NOITE SUSSURRA POESIA







Quando a noite sussurra poesia


Chamo o bálsamo do corpo teu


À chuva despenteada do meu


E faço de ti prazer, até ser dia!







29.10.13

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

MEL




Pousa ao de leve, nos meus lábios
O mais cálido beijo d’outono

Dedilha uma harpa d’aromas sábios 
Arrepia-me, atormenta o sono 
Folheia cada poro da minha pele
Porque a noite quer-se com(o) mel…

28.10.13

domingo, 27 de outubro de 2013

DUETO ANA COELHO E JESSICA NEVES - NA MEMÓRIA ENCOBERTA DAS HORAS






Entrego-te a essência 
Na memória encoberta das horas

Onde os desejos ficam no silêncio 

Dos gestos que os dedos tocam 
No branco e preto do piano mudo...

A melodia que dedilhamos 
Tomba do sabor dos lábios teus 
Em pautas de sons desalinhados 
Na sede de os colar aos meus 
E de ver os sonhos a dois concretizados...

Numa renda estrelada 
No luar crescente do vento suave 
Que as mãos tecem em laços que permanecem 
Sem ponteiros descoordenados 
Nos solfejos de uma linha pautada...

Ao de leve, bordas-me de linho
Enleias-me a ti, de cor
A paixão e o amor pedem ninho
Numa rendição que se quer
Devagarinho, ao pormenor!...


27.10.13

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

CHOVE(S) EM MIM





Ainda sinto o aroma da tua voz

Empoleirada ao meu pequeno ouvido 

Na urgência de me falares de nós
Chove no decote do meu vestido

Chovem carícias por mim abaixo
Chove(s) poesia por mim acima
…Lentamente, contigo encaixo
Como uma genuína obra-prima

Chove na minha pele aveludada
No sossego casto do teu abraço
Não há espaço para mais nada
Sou Mulher, em ti me (re)faço!

22.10.13

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

(IN)CONSTANTE




(In)constante é o verso
Que baila no corpo meu 
Na pressa de s’enlaçar ao teu
E rodopiando faz crescer 
A sede de (te) querer 

- Poesia -

À mesa à hora da ceia 
Na carne embrulhada
Em noite salpicada
De melodia e lua cheia!


16.10.13

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

DANÇA POÉTICA






Uma mão (es)corre pelas tuas costas

A outra apoia-se na cintura
Ele faz o movimento que mais gostas
E tu deixas-te ir na loucura…

Leva-te um copo de vinho aos lábios
Não te atreves a dizer que não
Depois suave, poisa-o na tua mão
E prova-os, tomando-os como sábios…

(O copo entorna-se pelo vestido
Ele coloca-o ao de leve, no chão
Diz-te o quão és linda, ao ouvido
E sorri-te, em modo “sedução”)

Continua a dança pelas costas
Alinhando na maior aventura
Sempre fazendo o que mais gostas
Envolvendo as mãos com ternura…

Brinda-te com uma pequena flor
Prende-a a um fio do teu cabelo
Como um doce e poético novelo
Como um longo pedaço d’amor…

…Desabotoa-a, pétala a pétala
Como também se desabotoa a si
Num olhar rasgado que só cala
Toda a tempestade, dentro de ti.

19.10.13

sábado, 19 de outubro de 2013

PESO























O peso da máscara
No negrume nojento do chão

O toque adormecido
Dos lábios ao sopro do coração

A perda de identidade
A queda da esperança

A mão que não alcança
Um pingo d’imunidade

Oh! Onde estás liberdade?
Quero encher a pança!
Ri-se de mim, a falsidade
E eu morro, sem bonança!

18.10.13

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

RESCALDO





Em cada vértebra
O rescaldo do poema


- Dilema -



A sombra do destino
Infiel



O rasgo do peito
Cruel



O gemido do luar
Cede à meia-lua



O corpo a desejar
A pele que não é sua.




17.10.13

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

NÃO SÃO AS MINHAS MÃOS QUE ESCREVEM




Não são as minhas mãos que (te) escrevem

É todo o meu corpo

(Nu de mim)

Vestido de nós...



15.10.13

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DEVOLVE-ME O POEMA





Devolve-me o poema

Que roubaste ao meu corpo
Na noite em que todas as estrelas
Se (des)abotoaram de nós...



Pendura-o na tua boca
Enrola-o à minha língua
E vai descendo e ondulando
Na vertigem da fome
Que o delírio pede
E o suor consome...

Devolve-me o céu
Que descobri nos olhos teus
Ao toque ardente
Do tango vibrante nos meus.

11.10.13

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

NA RAIZ DO VERBO AMAR






Troco o folhear do livro
Pelo enlace das mãos 

Raízes envolvidas

Em carícias que se completam…



Troco a leveza da noite

Pelo conforto do sorriso

Poisado no peito desnudo
Após a gula do prazer…



Troco a inocência do olhar

Pelo arrepio do beijo

Na cadente despedida
Do teu corpo (n)o meu…




Se posso ter

O folhear do livro

A inocência do olhar
A leveza da noite
Na raiz do verbo Amar
Não há razão para trocar
O que está poeticamente 
Destinado a se encontrar!



08.10.13


sábado, 28 de setembro de 2013

VENTOS
















Descem persianas
Gotejam lamentos
Sussurros amarrados
Às pontas dos ventos
Uma luva que cai
Numa cirurgia acelerada
A máscara que s’esvai
C’a verdade esbofeteada
Um homem com sede
Suplicando guarida
Um coração sem rede
Ferindo a carne despida
Um olhar com pressa
De alcançar a vida
Um passo que cessa
A meio da investida
Uma carícia estendida
A uma alma de luto
A promessa cumprida
Gera árvore de fruto
O sorriso roubado
No seio dum beijo
Traz fel anunciado
Ruptura que prevejo.

28.09.13

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O GALO

Arte de Mario Miranda Escultor



Abrem-se portas
E o galo baila cantarolando
Todo emperiquitado
Na passadeira vermelha
Deslumbra-se
E enlouquece…

Abrem(-se) portas
À vizinha galinha
E o galo desdenha
Invejando com mesquinhice
Dá bicadas de frustração
Em plena capoeira…

Abrem-se portas
E o galo cospe p’ro lado
Mija-lhes em cima
E o odor fede
Terrivelmente
A filarmónica passa
E o galo chora

Fecham-se portas
Desumanamente.

16.09.13

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ACASOS - DUETO TERESA TEIXEIRA E JESSICA NEVES




Todas as manhãs são inocentes
Enquanto as gaivotas não temerem
O fio cortante dos ocasos.

Todos os meninos são acasos
Enquanto na vida lhes fizerem
Sentir que são culpas de sementes.

Todas as flores serão carentes
Enquanto os homens não entenderem
A inocência vã do seu perfume.

Todos os rostos são (de) lume
Enquanto os traços se perderem
No fogo dos indiferentes.


Todos os caminhos serão estéreis
Se não partir do tronco frágil
O ramo onde pousarão os pássaros.



Todos os animais serão ácaros
Enquanto saírem do covil
Com ilustre barriga de reis.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

MOLDURA






Cálidas folhas d’outono
Empoleiram-se no meu dorso
Como hábeis mãos que massajam
Pequenas mazelas
Que o inverno teima em não adormecer…


Quisera eu
Que se apoderasse
O beijo do sol em noites ao relento
A brisa suave no rosto ao amanhecer
E pela tardinha o toque do calor ávido
Emaranhado por todo o corpo…



Quisera eu
Agarrar todas as cores
E pincelar ao de leve
O meu sonho…



Quisera eu
A libertação das palavras
E a fortaleza cantada dos gestos
Moldura que conduz
Ao ventre da eternidade.



18.09.13

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SEM CÉU NEM VÉU






Desmaia pelos recantos

Um ardor perfumado



O cenário é composto por 
Fotografias a preto e branco
Que se mexem da direita 
Para a esquerda
De cima para baixo
Sorrisos rasgados a meio
Migalhas 
Apêndices nossos
Sem céu
Nem véu…

Estanco
Engelhada

Peço um olhar emprestado
E de viagem marcada
Sigo apressadamente 
Para lugar nenhum
Sem ninguém dar conta 
Entre o grito da multidão
Que passa.


17.09.13
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