terça-feira, 21 de janeiro de 2014

JARDIM DE POBREZAS





Cai em mim

A rosa das incertezas
Pó d’alecrim
Jardim d’impurezas…

Cai em mim
A rosa dos desafetos 
Colo sem ti
Jardim d’esqueletos…

Cai em mim
O espinho das tristezas
Pesar sem fim
Jardim de pobrezas…

12.01.14

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CONFRONTO COM AS PALAVRAS






É duro 

O embate com as palavras
O muro
Que dispara mil balas…

(Oh… como eu sei!...)

É duro
O confronto com as palavras
O furo
Que vontade de fazer as malas…

(Oh… como eu sei!...)

É duro 
O embate com as palavras
O muro
Que, sem querer, calas…

(Oh… como eu sei!...)

Será a cura
Sair (de) dentro delas
Ou será loucura
Continuar a amá-las
Como se fossem as coisas mais belas?!...

12.01.14

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

PODE O CÉU NÃO SER MAIS CLÍMAX







Pode o céu não ser mais clímax

Presença, vendaval, pura ilusão

Flecha, vertigem, rasgo que satisfaz

Nesta sede de viver até mais não…




Pode o céu não ser mais clímax

Paraíso infernal, rima descompassada

Hálito azul, espuma que (me) refaz

Nesta fome de ousar Ser – abençoada!



11.01.14

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DUETO ANA COELHO E JESSICA NEVES - ACOLHEMOS GESTOS E LEMBRANÇAS





Labaredas de fogo 
Fogem em correntes de nada 

Tocam a linha do horizonte 

Onde o olhar pousa os sonhos…

Onde o olhar pousa os sonhos 
Corre uma cascata em voos livres 
Apêndice de caminhos intermináveis 
Na senda da glória alcançada...

Na senda da glória alcançada 
Remamos em enseadas despertas 
Na liberdade onde as correntes alertam
Sem vento no tempo das colheitas...

Sem vento no tempo das colheitas
Acolhemos gestos e lembranças
Que a alma passa para o papel
Para eternizar como amuleto…

Para eternizar como amuleto 
Bem no cerne do peito 
De onde jorram rubros pulsares 
Em lábios de quente olhar...

Em lábios de quente olhar
Que tocam o algodão do céu
No topo da verde fantasia 
Que inspira quem a respirar…

12.01.14

sábado, 11 de janeiro de 2014

GRITO DOS GESTOS




Há o grito dos gestos
Incrustado no silêncio da solidão
Ruídos modestos
Arrufos de mãos
Que não se dão…

Há o grito dos gestos
Perpetuado no cálice das mágoas
Cigarros funestos
Não dão tréguas
Em poluídas águas…

Há o cume dos desejos
Amarrado ao ontem d’agora
Cálidos ensejos
Vazio sem hora
Tempo que demora…

Há o cume dos desejos
Abraçado ao sonho d’esperança
Promessas entre beijos
Suor sem mudança
Desequilíbrio da balança…

11.01.14

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

ORVALHO (NO CAIS DOS MEUS OLHOS)





Empoleiram-se mil gotas d’orvalho 
No cais dos meus olhos

- Persianas submersas -

Sempre que o corpo teu 
Se afasta do meu
Calor.



É lonjura, é devaneio
O fervor

Da pele pelo meio

O desamor
Um cego tiroteio…

No cais dos meus olhos
Há um caos cosido à mão
Não há rosas aos molhos
Nem sequer, (o) coração.


08.01.14

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

LÍNGUA GESTUAL DO CORPO (PELE CONTRA PELE)









Quero o cálice rubro 



Da paixão derramada



Pela língua gestual do corpo



A entreabrir-se em gotas de suor



De pele contra pele



Nu gemido avassalador



Na rouquidão da fome



Nu (re)pousar do mel



Nu (des)abotoar do amor.





24.12.13

sábado, 28 de dezembro de 2013

VOTOS DE BOAS FESTAS








Deixo aqui os meus votos de boas festas. 



Que 2014 seja um ano pleno de sorrisos, conquistas 



e realizações a todos os níveis. 




Que a nossa força se  faça sentir não só, nas vitórias 



como também, nos  momentos menos bons! 





Que o nosso pensamento sempre atraia coisas 


positivas! 





A TODOS OS QUE ACOMPANHAM ESTE BLOG O 


MEU (E)TERNO AGRADECIMENTO!




PARA O ANO PROMETO MAIS NOVIDADES 


POÉTICAS!





OBRIGADA!





Um brinde à vida: a todos aqueles que bebem a 



felicidade em goles de simplicidade!





Festas felizes! *




Jessica Neves *

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

SILÊNCIO QUE SEDUZ








Nos teus olhos 



- o maior poema - 


o paraíso, 


nu silêncio 


que seduz 


por inteiro.

domingo, 15 de dezembro de 2013

NO LEITO DAS HORAS MORNAS - DUETO TERESA TEIXEIRA E JESSICA NEVES



Disseste-me que 
Para me poderes amar, 
Teria que saber ler-te a alma... 
Mas que é do mar 
Se a névoa o esconde, 
Onde é o sul 
Se não vejo o sol, 
Onde?...


Disseste-me que
Para me poderes tocar,
Teria que saber juntar as palmas…
Mas que é do lar
Se a fonte o esconde 
Onde é a lua
Se não vejo a pele tua 
Onde?...

Pedi-te que fosses 
O rio de águas límpidas 
Onde bebem todos os abraços. 
Mas que é da margem 
Se a terra é asa,
Onde é o longe 
Se regresso a casa 
E a sede é cedo, 
E o tarde é hoje...?

Pedi-te que ficasses
No leito das horas mornas
Onde cedemos nossos cansaços.
Mas que é da viagem
Se o céu desiste
Que será bagagem
Se o coração sem estrada
Rasga a ilusão
E mais nada…? 



13.12.13

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

COBERTOR







Existem corpos


que são cobertores,

deslizando pela pele


pela mente...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

POEMA MUDO - DUETO ANA COELHO E JESSICA NEVES

























Passa o tempo na voz do vento
Esqueço a hora para decorar as silabas do silêncio
Recosto a inspiração num suspiro sem ar
Morrem as palavras sem nada falarem

Encosto o ouvido à almofada
Anseio o canto da aurora
Em sussurros suaves, fábulas encantadas
Deitadas num corpo que agora chora...


Aconchego os lençóis à sede do pensamento
Viajo por nuvens da lua no universo calado
Nas insónias das lágrimas é escuro o sentir
Apenas os recados da alma ficam para me acudir

Sorvo cada gota que cai pelo rosto
O poema é mudo e as mãos estão vazias
Quem me dera beber desse teu mosto
Talvez acalmasse minhas noites frias…


10.12.13

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CASA DE AFETOS - 3º LUGAR NO XVIII CONCURSO DE POESIA DA APPACDM DE SETÚBAL




Abriste a porta
Ao sopro da esperança 
Extraíste os afetos maiores 
Pela janela do peito



Enfeitaste o teu quarto
Detalhadamente
Com paredes multicolores
E gloriosos quadros
Ressaltando batalhas
Encheste o armário
Com trajes leves 
E nas gavetas
Encontraste o bálsamo perfumado
Das fotografias a preto e branco
Dos sorrisos que voltariam a ser presente…



Paulatinamente
Pisaste trilhos sonoros
E até o chão se rendeu a ti…



Do telhado avistaste a multidão
E dividiste a tua casa
Com a humanidade
Que te recebeu sem mácula
Partilhando contigo 
O jardim de todas as fantasias.







Pseudónimo: Âncora

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

GOMOS DE TERNURA - POEMA PREMIADO COM MENÇÃO HONROSA NO XVIII CONCURSO DE POESIA DA APPACDM DE SETÚBAL




Desabotoo-te gestos
Que dedilhas sem pressa 

No oceano de todas as quimeras

Aperfeiçoas ténues riquezas
Cálidos gomos de ternura
Sorrisos (des)apertados
Cedidos de olhares prenhes
Forrados em talha dourada
No berço onde te aninhas
Desliza o silêncio incorporado de sons 
No leito acetinado das tuas asas 
Polvilhas tua fábula de mil encantos
Regas-te com o perfume salpicado
E inebriante das rosas brancas
E entregas-te sem pudor
Às hábeis mãos 
Que se estendem à tua volta.






Pseudónimo: Âncora
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