segunda-feira, 7 de junho de 2021

PENUMBRA


 

Quando as luzes desvanecem no meu rosto

E os cabelos escutam o murmúrio do vento

Cai no olhar a penumbra de um lamento

Que reclama saudades do sol de Agosto... 

 

Não quero ter uma lembrança de mim

Sem os olhos carregados de esperança

Não me revejo ao espelho assim

Com sonhos roubados sem licença... 

 

- Há uma linha que permanece até ao fim - 

 

Mantenho os sonhos enquanto criança 

Da juventude preservo o corpo e a mente 

Só quero a lucidez adulta e a temperança

De saber ser pessoa no meio de tanta gente!

 

Sigo a linha da minha vontade 

Não sou papagaio de ninguém 

Sou a liberdade com responsabilidade

De pensar, agir e querer ser alguém! 

 

Sigo sempre o trajeto em frente 

As curvas hei-de conseguir contornar

Acreditar é um passo, não é suficiente

É preciso ainda lutar para concretizar! 

 

28/05/2021

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

INTEMPORAL | DUETO CÁTIA BERARDO C E JESSICA NEVES



Eu sou quem os teus silêncios clamam. 

Quem me dera não te lembrar
Mas as tuas formas ocupam o mistério das nuvens
Enchem a força do vento com o rasto do teu cheiro de volúpia. 

Sabes a rosas e cravos e a espinhos cravados no peito
Na impossibilidade de indiferença ao teu jeito
Ainda recordo o retrato das nossas mãos ao luar
Agora somos apenas um mero quadro desfeito
Um passado-presente a que é sempre difícil voltar
Uma dor que não se vai ultrapassar
Sem a devida distância dos sentidos
Um grito aceso que não se vai calar
Enquanto "aquela" música tocar nos meus ouvidos...

Nada mais te posso dar
Senão a letra de uma canção que escrevi hoje ao amanhecer
E não existe mais nada que os homens possam ver
Além de um pedaço de folha rabiscado que perdurará no tempo.  

O tempo, essa substância absoluta que define a vida em partículas
Mas não separa o desejo nem mata a dor 
De ser sem ti, sem o teu agridoce sabor 
E o teu olhar brilhante igual ao meu
A fazer lembrar as estrelas no céu... 

Ninguém apaga a felicidade 
Que vivemos ao som do mar
Hoje eu escrevo a saudade 
E com a voz rouca tento silenciar
O que arde cá dentro e só quer doer
Porque o Amor não sabe acabar 
Só sabe durar e permanecer... 

Permanecem os gestos e as histórias
Os olhares e as palavras
Os sorrisos e os silêncios
As almas e as memórias
Que se confundem por entre as cores do crepúsculo
Perduram as lembranças emaranhadas de pensamentos
Que fazem as estrelas pestanejar
E nem os mais sábios conseguem entender
Onde começam os nossos laços e onde findam os nossos nós.


19/05/2021


Visite aqui a página de escrita da Cátia Berardo C: 
https://www.facebook.com/sintocatiaberardoc/

sexta-feira, 30 de abril de 2021

SEPARAÇÃO

 



Fui eu que errei

Quando esperei mais de ti

E não separei a paixão do amor... 

 

Destruí o que era belo

E dum sonho num castelo 

Vi a sombra no eco da dor

O relógio a bater na porta

O rio a escorrer nos olhos

O frio no peito que corta 

A emoção aos molhos... 

 

E agora?

O que sobra de nós 

A esta hora da noite

A cada segundo que passa? 

O teu sorriso já não me abraça 

E eu fico cada dia mais a sós. 

 

17/04/2021

 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

É PRECISO IR MAIS ALÉM



























É preciso ir além do olhar

Deixar o silêncio se afirmar 

Desvendar os segredos do rosto

Transbordar sorrisos de Agosto

Durante o ano inteiro!

 

É preciso escutar todas as melodias 

Respeitar diferenças, encurtar distâncias 

Entre pensamentos e sentimentos 

Somos a soma de todos os momentos

Que escolhemos viver primeiro.

 

É preciso correr, visitar lugares

Redefinir caminhos, trocar moradas

Reinventar soluções lineares 

Desafiar as paixões desejadas

Lutar sem desanimar

Acalmar o ritmo do coração

Hoje e sempre acreditar 

E demonstrar mais compaixão!

 

É preciso interpretar a linguagem corporal

Reciclar tudo o que faz mal

Saborear e agradecer o que há de melhor 

Partilhar gestos de amor

Devolver alegria ao mundo

Agir com bondade, empatia e esperança 

Manter os sonhos acesos em cada criança

Não desistir de viver um único segundo!



04/04/2021 


 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O AMOR É UMA CONTRADIÇÃO




















O Amor é uma contradição

Um dilema entre a emoção e a razão

Amizade, cumplicidade e incerteza

Coragem ou talvez não... 

 

Algo forte que fraqueja

Morde, corrói, beija 

Fere, destrói, mata

Perde toda a beleza

Se é fugaz e banal...

 

O que é isso do Amor afinal? 

 

Amar é hoje um ato pouco lúcido

Uma cegueira que assalta as veias

Come por dentro e se cospe para o lado

A crença de futuro que não existe... 

 

Creio na imperfeição dos seres 

Na promiscuidade com que se entregam aos prazeres 

Na dualidade com que vivem o quotidiano 

Onde a fidelidade é uma carta selada por interesse(s)

Na luta pelo poder... 

 

Que sentir tão pobre! 

A essência foi dar uma volta 

O respeito anda por aí à solta 

O conhecimento não se adquire, só (des)ilude

Não se devia brincar com algo tão nobre! 

 

Afinal não há sempre nem para sempre 

Não há não nem nunca 

Não há palavras mornas nem gestos eternos 

Há filosofias teatrais e projetos medíocres 

Que na hora dizem sim, mas não passam de ditados 

E normas de uma sociedade adulterada de pecados... 

 

Amar

Até pode ser uma coisa boa

Entrar nessa cegueira temporária 

Esquecer o resto, andar à toa

Passear sonhos e objetos

Com medo da solidão

...Assim não!

 

Não se ama este e aquele 

Nem existe uma maneira 

De sentir e descrever

Algo que é único viver... 

 

O Amor é talvez o sentimento 

Mais ingénuo de todos 

Primeiro devemos escolher o Próprio:

Uma companhia verdadeira

Para a vida inteira!

 

30/03/2021

segunda-feira, 5 de abril de 2021

SOCIEDADE

 



Quando estás rodeado de solidão

Todos os apertos de mão são em vão

Não há janelas abertas, apenas a alma nua

E um convite explícito para a porta da rua... 

 

O que te conduz até aos outros é inútil

Qualquer argumento mastigado é fútil

Quando sabes que existe um muro 

A toldar a visão agreste do futuro... 

 

Que vida é essa que se diz em sociedade? 

Que conforto nos dá o vazio das gentes 

Que percorrem caminhos sem responsabilidade 

E evitam o confronto de várias frentes?

 

Que geração é esta e qual virá depois? 

A liberdade é individual mas também a dois 

Não são mentes caladas que traçam projetos 

É preciso debate para não se iniciarem as casas pelos tetos... 

 

O que é que tens a dizer daquilo que vês?

Das revistas cor-de-rosa e dos livros que lês? 

Apetece-te rasgar logo ou guardar tudo 

E emoldurar a arte num quadro mudo? 

 

Que mensagem queres passar

A quem te cumprimenta e passa? 

Que cultura estamos nós a criar? 

Que terra amarga, infértil e lassa!

 

Sabes que não há beleza

Num solo cultivado sem amor 

Assim como há a certeza 

Que a primavera só é bela dando flor... 

 

Que dizer de todas as dores 

Que se espetam entre os dedos 

Serão só medos e segredos

Ou calos acesos em dissabores? 

 

Que povo é este que se vai deitar 

E não pensa em abraçar e partilhar? 

Questionas tu e questiono eu

Este planeta não é só meu! 

 

Há imensas mesas e salas vazias

Mortes de pessoas vivas e frias

Que se deixam ir na corrente 

De ser pó num corpo ausente... 

 

Se existe o conceito de sociedade

Observa-me muito pouco

O mundo está doente e louco

Ninguém sabe o valor da solidariedade. 



26/03/2021

terça-feira, 30 de março de 2021

PARTICIPAÇÃO NO "DIA DO LIVRO PORTUGUÊS", PROMOVIDO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE MONTEMOR-O-VELHO | 26 MARÇO 2021



Participação no "Dia do Livro Português",
promovido pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.

Agradeço o convite e a partilha!

Espero que gostem das minhas palavras.



Vídeo também disponível no meu Canal Youtube, através do link:

https://youtu.be/3-GjTMqfZFw


 

quinta-feira, 25 de março de 2021

FADO ALEGRE


 

Quando me deste um sorriso pela primeira vez

E partilhaste o sol que trazias na mão

Uma curva ascendente, o universo logo fez

E o coração sobrepôs-se à razão... 

 

É a emoção a romper o desejo

Os lábios a pedirem um beijo 

A tua mão a suplicar a minha

O horizonte na mesma linha...

 

Vem viver este fado alegre comigo 

Canta e dança, sê meu amor-amigo

Dá asas e voz ao meu sonho antigo 

Dorme em segredo no meu umbigo... 

 

Pincela a noite de todas as cores 

Conta sem medo os teus amores 

Diz-me tudo o que tens em mente 

Agora que eu sou o teu presente... 

 

Rodopia ao de leve nos meus sentidos 

Dá-me de beber da fonte do conhecimento

Sussurra-me poesia-paixão aos ouvidos 

Seduz-me com a música em movimento... 

 

É aqui que eu sou feliz

Contigo ao pé de mim

Nesta melopeia sem fim

Na vida que sempre quis. 

 

20/03/2021

quinta-feira, 18 de março de 2021

PRIMAVERA A TEMPO INTEIRO


 


Se as tuas costas fossem um piano

Talvez eu soubesse tocá-las paulatinamente

Ao compasso da melodia dos corpos

Dedilhar acordes perfeitos nos teus braços

Entre gestos mornos que desnudam a alma 

E trazem aromas de mel e beijos com sabor a amoras do campo... 

Contrastes de teclas a preto e branco 

Que guardam no peito, memórias e lugares onde sorrimos 

Numa primavera a tempo inteiro

Salpicada de lábios sumarentos e poemas eternos

A florir nos teus olhos. 

 

 

17/03/2021

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

PORTA DOS SENTIDOS

 



Abro-te a porta a sorrir

Pela energia que te traz

Como quem quer descobrir

Aquele gozo que me dás... 

 

Se o teu cheiro vem do mar

E pernoita leve no meu cabelo

Esse perfume eu vou inalar

Para mim quero sempre tê-lo! 

 

Se o teu sabor vem da terra

Vou degustar-te ao segundo 

A humidade na vertigem da serra

Culmina num beijo profundo. 

 

Se o teu toque vem do fogo 

Nas tuas mãos eu vou arder

Ternura e loucura é um jogo

De quem se quer pertencer!

 

Se o teu som vem do ar 

Do canto do passarinho

Contigo desejo ficar 

Para construir um ninho... 

 

Se o teu olhar vem do céu 

Não sei, só sei que é meu!



13.09.20

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