sexta-feira, 26 de maio de 2017

LUTA DIÁRIA



Não somos fortes (só) quando vencemos, mas quando ultrapassamos os golpes mais duros e inesperados, conquistando assim, a superação, dia após dia. É essa luta que a vida nos propõe.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

NO CREPÚSCULO DOS GESTOS







































Naquela tarde acesa
Em que vislumbrei o teu sorriso
Por entre o jardim dos afetos
Descobri que eras mais que o tempo
Havia uma cálida certeza
Que te acompanhava e me bastava
Eras tu quem, ao pormenor, me habitava.


Tudo o que nos basta
Não se diz nem que se sinta
O meu peito acredita
Que não há corpo que minta.


No crepúsculo do ensejo
Os gestos conduziam à ousadia
Ao toque suave dum beijo
Desnudava-se a pele em poesia.


Saudaram-se os corpos num abraço
De lume e fome em desassossego
Não há ternura sem embaraço
Nem colo quente sem aconchego.




20.05.17

sexta-feira, 19 de maio de 2017

NA CURVA INCERTA DO DESTINO


































Vou ao lado esquerdo da sorte
Pela curva incerta do destino
As pedras da calçada lamentam o meu trajeto
Sei de mim pelo que calo
Pesam-me os ossos na escassez dos caminhos
A que os olhos lacrimejantes se moldam.

Não há quem adivinhe
O que está além do muro
Exceto que a morte se avizinha
 - Longe ou perto ela vem -
Quisera eu desvendar pitada do futuro
Por segundos, desligar o pensamento
Não ouvir o zumbido de ninguém
Não esboçar qualquer sentimento
Fazer-me de estátua bronzeada
Sacudir toda a negação acumulada
Protegendo-me de quem não me quer bem.


19.05.17

segunda-feira, 15 de maio de 2017

CRENÇA MAIOR



É a fé!

Grita quem acredita
Que nos conduz a trilhos infindáveis
Movidos pelo prazer do sacrifício
E por uma crença maior
Possibilidade de milagre
Afastar a dor e colher o melhor...


É a fé!

Grita quem não se limita
Apenas ao que observa
E agradece todos os dias
Sacode tristezas, ressalta alegrias
Na esperança de alcançar a paz interior…


É a fé!

Grita quem reivindica 
Que é mais do que calejados pés

É ela que comanda quem tu és!


15.05.17

quinta-feira, 11 de maio de 2017

MATEMÁTICA SEM SENTIDO(S)



Subtraem-me os dias
Com pouca gentileza

Queria contar algumas alegrias
Minhas mãos rasgadas só falam de pobreza.


Dividem-se os dias
Em relatos de noites sombrias

Não há quem fale em amor
Nem em cheiro ou sabor.


Há frações de olhares por todos os lados
Não ouço ninguém chamar por mim 

Não vejo com os olhos que me foram dados
Se estava a caminho da vida, estou perto do fim.

Há presenças que me estão a anular
Quiçá a minha seja uma delas 
O veneno está lentamente a aniquilar
Todas as coisas que tinha como belas!


Oh! Pudesse eu dizê-las
E multiplicá-las, (re)vivê-las

Soma-se a minha pouca sorte
Ao retrato a carvão da morte.



11.05.17

terça-feira, 9 de maio de 2017

SE EU TE PUDESSE AMAR



Se ao brilho dos teus lábios pudesse juntar
O calor que advém do fogo do meu olhar
Talvez eu te soubesse explicar
Tudo o que o amor consegue ultrapassar…


Se o contorno do teu sorriso pudesse equiparar
Ao suor das mãos quando te veem, a tremelicar
Talvez eu te soubesse dizer
Que o medo só nos faz sofrer…


Se há tempestades que despontam lá fora
E verdades que doem dentro de nós
Eu só queria que acreditasses no agora
E me deixasses ser parte da tua voz…


Se a tua pele macia pudesse conquistar
Ao ritmo sedutor de um tango a embalar
O teu coração ao bater do meu iria decifrar
E teria todos os ingredientes para te amar!




09.05.17

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A TI, MÃE



Mãe
Tu que és infinito tesouro
Proveniente do fruto do amor
Júbilo do teu ventre de ouro
Dar ao mundo um poema maior.


Tu que és
Minha heroína
Orientadora assídua do meu percurso
Sei-te luz (d)e alma divina
Bússola aos olhos do futuro.


Tu que és
Mais que uma genuína bênção
Conheces-me da cabeça aos pés
Sempre escutas o meu coração.


Tu que és
Tudo no palpitar dum abraço
Transmites a lucidez necessária
Para enfrentar esta luta diária
Ninguém ocupa o teu espaço.


Desculpa, Mãe
Se nunca te consegui demonstrar
Esta felicidade de te ter
- Mas põe-te no meu lugar -
Não há como explicar
O que nasceu para se sentir.

Obrigada por me fazeres existir.




04.05.17

segunda-feira, 1 de maio de 2017

VEJO EM MIM O QUE NÃO SOU







Queria que as papoilas me beijassem o rosto
Que o teu olhar me acariciasse com(o) um abraço
Não vem ao meu encontro o sol de Agosto
O teu cheiro não está mais em meu regaço.


Queria combater este rasgo que trago
Esta ferida que deixo ao relento
Sem querer o meu nome apago
Tento fazer avançar o tempo.


Não vejo os campos de girassóis
Não sei onde estão as rosas coloridas
Não há qualquer rasto de nós dois
Nunca me habituei a despedidas.


Remendo os joelhos a picotado
Vejo em mim o que não sou
Dizem que tenho o sorriso amarrotado
Uma falsa gargalhada ao espelho dou.


Ecoam vozes no meu peito
Que é só um sujeito covarde
Não me sinto neste quadro imperfeito
Peço que me sirvam a tristeza mais tarde.




01.05.17

sábado, 29 de abril de 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

JANELA DO PRAZER



Vem pela janela do corpo entreaberto
Acordar o meu desejo
Faz-me crer em coisas que desconheço
Se é ao teu beijo que pertenço
Estou no lugar certo

Para te envolver
O sorriso
Para te seduzir
Com calma

Para te converter 
Ao paraíso
Para te descobrir
A alma


Vem pelo prazer sem tempo
Desorientar os meus sentidos
Se somos mais que o momento
Faz-me crer que és tudo o que preciso
Percorre-me de alto a baixo
E sussurra-me de hálito quente, ao ouvido
Porque é só contigo que eu encaixo.



25-04-17

segunda-feira, 17 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEDE DOS AMANTES



A distância desfeita pela sede 
Traz-te à tona de mim
A paixão não se despede
De quem não deseja o fim


Quebro as rendas do lençol
Aquando o calor que emana do sol
Quero o mergulho imediato do corpo teu
Queimado, poro a poro, junto ao meu

Que a tua boca despida
Pernoite acesa pela minha pele
E sacie esta vontade desmedida
De que faças de mim, a tua amante mais fiel


Que rodopie vezes sem conta, a tua mão 
Pela minha estreita cintura
Que as gotas de suor sejam a loucura
Anunciada pelas roupas espalhadas pelo chão

Que só o grito destemido na almofada
Nos consiga, aos poucos, desvendar
Os amantes que vagueiam pela madrugada
São impossíveis de silenciar. 



14.04.17

segunda-feira, 13 de março de 2017

O MEU LUGAR (NO LIMIAR DOS SONHOS)



Há pele na alma

Há alma na pele.


Há bicos de pássaros que mordem

Cicatrizes que adormecem
Gestos que moldam
Como oleiros cuidam
Das suas obras de arte em extinção.

O ouro pincela a alma a rigor

E (en)cobre a pele que se debruça
No limiar dos sonhos em tons de prata.

Há vistas paralelas
Persianas a preto e branco
E sons que ressurgem do vazio
Debaixo da carne.


Há espíritos comuns a todos os imortais

É esse o meu segredo
Sou um deles
Exponho-me como a branca cal
São escassos os medos
Para que a fonte me liberte
Sempre.

Duvido
Para viver entre a magia dos passos
Descarto horas, minutos e até segundos
E concluo – sem concluir – que é cada vez mais 
Invulgar o meu lugar no mundo.


Falo na primeira pessoa

Mas podia falar por meia dúzia. 

Construo ideologias
E creio muito pouco
No que (me) dizem.


Peles envelhecidas

Trazem sabedorias
Ainda carregadas de sentido
Ouço-as. Assimilo-as.
E vou fazendo os meus próprios juízos
Desbravando caminhos
Do que julgam ser inatingível.


Sou um corpo antigo

Numa alma rejuvenescida
Este é o meu ponto de equilíbrio 
Jamais me darei por vencida.


Sei o que almejo

O que é longe
Ao perto já o vejo
Traço metas
Construo caminhos
Faço das curvas, retas
Imperfeitas 
E encontro-me com o destino.

Esta é a minha independência
Ser o que quero ser.
Há escondida uma pequena ânsia
Que, amiúde, me impede de viver.

Há eus em todos os cantos
E o meu espanto
Revejo-me em todos eles
Na verdade não sou nenhum deles.


Gosto e evito 

Os conflitos
Faço e refaço(-me) todos os dias
Não há noites iguais
A lucidez é maior que minhas alegrias.


Há pele na alma 

E alma na pele
Vou sangrando 
À medida que cresço.


Não espero compreensão

Nem aceitação
Tudo isso parte de mim.

- Interiorizo -



11.03.17

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A MASCARILHA



Traz a folia no rosto
Ao invés de a ter na alma
A disfarçar o desgosto
A sucumbir a calma.

A Dona do disfarce
Até o estômago pinta
Logo entra em catarse
Seu corpo em festa vomita.

É ela sua única crente
Por isso alimenta a pança
Todos sabem que mente
Mas deixam continuar a dança.

Ela quer sobressair
Nunca se cansa de ser falsa
Até de si tenta fugir
Nem no confronto se alcança.

A Dona da mascarilha
Assusta-se ao espelho
Grita, espeta a forquilha
Será o diabo de vermelho?!

Num olhar de dupla face
Volta a confrontar o espelho
Vê um quadro nu e velho
Espera que a pintura passe.

Foi bom ter-se confrontado
Esperar – sem agir – não dá resultado
Retira o batom do estômago
Os olhos derramam num lago.

A Dona da mascarilha
Quer deixar de ser o que (não) é
Talvez porque não brilha
Desmancha-se da cabeça aos pés!

Há tempo ou será tarde
Para acabar com a farsa?
- Que olhar agora a alcança?-
Pior que a desgraça
Só um peito covarde!



25.02.17


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

EU E TU - CORPOS NOSSOS | DUETO COM DINIS MUACHO












Nos dias em que o meu desejo
Estremece em todo o teu corpo
A língua implora-nos o ensejo
O teu beijo é o cais onde me demoro
Asa de gaivota a implorar
Um abraço que se quer soltar
E tantos sonhos por viver
És tu quem eu quero escolher para me acompanhar
No sonho da vida e do querer…

Há gestos que nos denunciam
Há sombras que nos impelem
Há crenças que anunciam
O vinho novo nas peles que se enrolam
E poro a poro se revelam
E beijo a beijo se evolam
Nas paredes do prazer se descobrem
Ao morder como quem abraça
Pouco a pouco em nós, a ternura se enlaça
E os beijos calam os medos
Nos recônditos da alma desvendam-se segredos
Que por ti não posso revelar
Só a memória nos irá salvar
Dos enlaces dos nossos corpos.



23.02.17

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

MITO DOS DEUSES



Eles dizem que são Superiores
E eu questiono – tudo – porquê?
Se são efetivamente melhores
Que me digam o que tenho de fazer
Para Ser
Como Eles…


Desato os nós da alma
O que está debaixo do Manto Sagrado?
Perco o norte aquando a calma
E olho para todos os lados…

O que está 
Atrás da porta?


Há fantasmas… Se os há!
E corpos a preto e branco.
Ao futuro tento dar corda
Oh! Que desencanto! Que desencanto!
Será que algum sonho me acorda?

Não sei se grito
Se rezo ou choro agachada
Sei – sim, sei! – que o Mito 
Aos poucos me desvendou
O meu corpo cedeu, a alma arruinou
E o confronto deixou-me estilhaçada…


A fuga não é minha missão
Não é solução abandonar-me
Fixar o passado também não! 
Tirem-me já o rótulo de derrotada
Quero ser a Deusa consagrada!


Não me venham calar
Deixem-me exteriorizar!
Quero caminhar em frente
Não me tentem agarrar
Quero ser pessoa, não gente!


Há gestos que se contradizem
Limalhas que me consomem
Demais.
Por favor, não me pisem! Não me pisem!
Não mais!

Almejo os laços do destino
As crenças da Vossa sorte
E se quebro as amarras do desatino
Entrego-me apenas à morte.



20.02.17

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

SEMENTES DE AMOR



No início era uma força subtil que me conduzia ao encontro do teu rosto. Pouco interessava o teu nome ou as vestes que trazias. Apenas sabia que dos teus lábios se adivinhavam sorrisos como se fossem rosas vermelhas a entreabrir, num perfeito dia de sol, à beira-mar. Imaginava os nossos beijos adocicados, banhados em favos de mel e o toque das tuas mãos como poesia em lume brando, onde eu aquecia as noites de inverno.

Desde que te contemplei ao pormenor, nunca mais fui a mesma. No cais dos meus olhos corriam intermináveis sonhos em tons de arco-íris e, as dúvidas convertiam-se facilmente em certezas, de que o caminho seria mais risonho do teu lado. Os teus pés dedilhavam trilhos destemidos, quase perfeitos, os medos dissipavam-se e os meus passos agigantavam-se com a melodia da tua presença.

Cultivei dentro de mim o meu amor por ti. As sementes cresciam com o brilho dos olhos. Eu regava esse amor todos os dias, mais do que a mim própria. Ele florescia, eu esmorecia.

O teu olhar não compreendeu, o teu corpo não cedeu ao encanto do meu e o amor arrefeceu. Não contemplávamos o mesmo céu. O meu amor morreu por falta do teu.


Logo me afastei, doeu muito mas, enfrentei e aceitei. Outras sementes deitei. Pisquei o olho ao amor-próprio e outra paixão cultivei. Perdi(-te), mas ganhei(-me)!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

REPOUSO DOS GESTOS (O REGRESSO A UM PASSO ATRÁS DA MENTE)




Ocupar o espaço vazio
O lugar carcomido à esquerda do peito
A lembrança da sombra acesa pela casa
A cama despida – de sonhos, jamais de afetos – do que era tanto


O repouso dos gestos
Ao canto entreaberto da saudade
Há lágrimas, tantas, incontáveis
E um soluço apertado de tempestade


Os lugares que tu ocupaste
Ninguém ocupará mais


- O regresso a um passo atrás da mente -

Há vícios que nos distinguem
Relembrá-los nunca será demais
Estás sempre aqui
Comigo
É segredo, eu sei
E tu sabes, não o desvendarei.


Passo e volto 
Onde estiveste
Estivemos e fomos
E grito
E sinto
Tudo
E mordo o sussurro que te levou
- Que me levou contigo –


Não, o amor não acabou.

Recordo a verdade do sorriso
Com que – sem querer – te despediste
Voltar dói
Corrói 
Perder mata.

Traz-me o sossego
Que mantém a flor intacta.



06.01.17




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