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ENTREVISTA (ANTÓNIO
VERÍSSIMO)
À CONVERSA COM… Jessica Neves
INDEPENDENTE DE CANTANHEDE
PÁGINA 2 – 19.09.2012
Quando é que se sentiu poeta?
Quando é que o “bichinho” da escrita tomou conta de si?
Jessica Neves - Sinceramente, eu não gosto de me intitular
de nada.
Os (maiores) poetas já não estão entre nós, mas serão sempre recordados pelo
que de bom deixaram escrito.
Não me sinto “poeta” sou simplesmente alguém que gosta muito de escrever,
nomeadamente poesia.
Sempre tive mais aptidão para as Línguas do que para a Matemática.
O gosto pela poesia surgiu, há pouco mais de um ano, quando estava de férias do
meu desporto preferido – o futsal. Comecei a escrever diariamente, criei um
blogue e comecei a divulgar a minha escrita em vários sítios na internet até
que fui desafiada a participar num concurso de poesia – o VI Concurso de Poesia
“Comunidade Escolar” da APPACDM de Setúbal. Curiosamente, foi o primeiro
concurso em que participei e acabei por vencer o primeiro prémio, entre 46
participações de várias escolas do país e foi talvez, o maior impulso para dar
continuidade à minha escrita.
O poema vencedor denomina-se “O teu sorriso… um poema” e faz parte do meu livro
“(Sem) Papel e Caneta, (Com) Alma e Coração”.
Quem são os seus
poetas de cabeceira?
Quais os nomes dos poetas que são, digamos, os culpados desta sua vocação
literária?
Jessica Neves - Admiro bastante a poesia de Fernando
Pessoa, os sonetos de Florbela Espanca e os poemas de amor de Pablo Neruda.
São as maiores referências que tenho. Fernando Pessoa pelo desassossego,
Florbela Espanca pela mestria na construção dos seus sonetos e Pablo Neruda
pela sensibilidade ímpar como (d)escreve o amor que confesso, é o que mais
gosto de ler e escrever.
Ser poeta em
Portugal, sobretudo para quem vive na província, não é fácil. Sentiu isso
quando pensou editar o seu primeiro livro?
Jessica
Neves – Na verdade não é nada fácil! É um pouco
estar a remar contra a maré. Somos uma gota no oceano mas ainda assim,
existimos! Penso que o mais importante é fazermos aquilo que gostamos e
lutarmos sempre pelos nossos objetivos, pois só acreditando neles e lutando por
eles os conseguimos alcançar! O meu primeiro livro foi realmente, um objetivo
traçado para este ano porque senti que havia alguma maturidade para tal. O
maior orgulho é vê-lo cá fora, sentir o melhor de mim escrito e “oferecê-lo” a
quem queira usufruir das minhas palavras.
Este livro é uma prova da minha existência, da minha passagem pela vida!
"(Sem) Papel e Caneta, (Com) Alma e Coração" é o
livro que apresentou em Montemor no dia 9 de Setembro. O que representou para
si este passo?
Jessica Neves – Foi
com enorme gosto que me desloquei a Montemor-o-Velho, no dia 9 de Setembro,
para a primeira apresentação do meu livro, após o lançamento a 14 de Julho, no
Café Santa Cruz, em Coimbra.
Foi mais um passo importante nesta ainda curta mas tão desejada longa
caminhada!
É bom quando vejo a minha obra ser divulgada e partilhada.
É ótimo sentir que me acompanham apesar de ser uma grande responsabilidade, é
muito gratificante para mim!
Como é que os seus
entes queridos encaram esta sua faceta? Dão-lhe apoio? São os seus maiores
críticos?
Jessica Neves – Inicialmente, estranharam porque me viam
ligada ao Desporto, ao futsal e não me associavam a uma atividade deste tipo.
Desconheciam a minha sensibilidade poética.
O apoio é incondicional. A minha família apoia-me, ajuda-me e está sempre
presente! Não só na poesia, mas na vida, são os meus maiores críticos. Apesar
de não se inserirem muito neste mundo literário, gostam de me acompanhar e eu
gosto de os ter ao meu lado! Costumam dizer que se orgulham de mim, espero que
não se esqueçam que eu também me orgulho imenso deles!
Prezo muito as minhas raízes.
Fiz questão de dedicar o livro à minha irmã pois é essencial!
A distribuição de um
livro que se edita, fora dos grandes centros, costuma ser uma dor de cabeça e
as feiras do livro são, tantas vezes, uma boa solução. Tem noção desta
dificuldade?
Jessica Neves – Tenho noção dessa dificuldade mas não posso baixar os braços e esperar,
é preciso agir.
Sem dúvida que as feiras do
livro, as participações em tertúlias e saraus são boas soluções para distribuir o livro
e é isso que procuro daqui para a frente para ajudar na sua divulgação.
Como vê o seu futuro
na escrita?
Podemos esperar, em breve, por um segundo livro?
Jessica Neves - O futuro passa por aprender, crescer e
evoluir a cada dia que passa.
O mundo da escrita não é fácil! Tenho os pés assentes no chão.
Para já não penso num segundo livro. Agora fiz uma pausa.
Tenho a ambição de fazer mais e melhor e é uma responsabilidade maior que
demora o seu tempo a preparar. Quem sabe no próximo ano, quando achar que as
folhas soltas estão com “cabeça, tronco e membros” para juntar e publicar,
sairá para a mão dos leitores um novo livro.
Como vê o panorama
cultural em Portugal? E no campo da literatura?
Jessica Neves – O campo da literatura é
praticamente como os outros.
De um modo geral, penso que as artes estão desvalorizadas no nosso país e
infelizmente há poucos apoios. Não é por causa disso que devemos deixar de
escrever! Pelo contrário, mesmo sabendo que é difícil impormo-nos, devemos
lutar para tentar inverter a situação.
O que a faz correr?
Jessica Neves - O que me move é a
paixão pela vida.
Quando gostamos das coisas fazemos sempre um esforço.
Assim sendo, torna-se fácil conciliar o estudo, o gosto pela poesia e pelo
futsal.
Há tempo para tudo mesmo que por vezes, seja cansativo!
Ligada ao desporto, ao futsal, considera-se uma desportista que escreve ou uma
poetisa que faz desporto?
Jessica Neves – Se fosse há um
ano atrás, diria de imediato que era “uma desportista que escreve”. Hoje em
dia, pela importância que a poesia adquiriu na minha vida, acabei por
desvalorizar um pouco o futsal e pendo mais para a “poetisa que faz desporto”.
São duas paixões que quero preservar e que me fazem crescer a todos os níveis,
mas se tivesse de optar, optava pela poesia e abdicava do futsal!